quinta-feira, janeiro 04, 2007

Aborto e Saddam Hussein

2 mortes!!!
Se Saddam Hussein era assassíno por ter morto tanta gente, então quem o matou, também não é assassino?
Algo que toda a gente devia pensar antes de festejar a morte do antigo ditador.
Que ele fez muito mal, isso fez, mas a morte nunca é solução, aliás, penso que o terror só agora vai começar.
Sou contra a pena capital, aliás sou contra qualquer tipo de morte, inclusive de pessoas que ainda não nasceram para se poder defender.
Estou a falar claro, do aborto. Por vezes, penso que quem quer abortar (assassinos, porque matam alguém) é que nunca devia ter nascido.
Tenham vergonha e digam não ao aborto.
Não á Morte!!

3 comentários:

mairao disse...

Uau, que bom!!! Então vamos todos votar não e deixar que as crianças continuam a ser abandonadas em contentores do lixo!!! Ganha juízo!

monge_galileu disse...

Vamos votar não para que as pessoas sejam responsaveis e nao andem pra í a procriar para depois matar!

Anónimo disse...

Para o autor deste texto, tenho apenas uma resposta:

«Havendo referendo, ou seja, uma escolha com significado político, é natural que haja debate público, que haja um contraditório a favor do convencimento das decisões e do voto. No entanto, nunca como agora eu desejaria que este referendo fosse silencioso, que este debate fosse quase inaudível, que ele pudesse ser feito quase por telepatia, por gestos subtis, sem voz, nem escrita, nem imagem. Tomem isto como uma metáfora, ou seja, não à letra, mas serve para dizer outra coisa que me parece mais importante.
Esta absurda cacofonia em que partidários do "sim" e do "não" esgrimem argumentos, opiniões, acusações, cada vez num tom mais alto, mais agressivo, mais descuidado, mais displicente, mais para se ouvirem do que para serem ouvidos, parte do princípio de que o essencial neste referendo é convencer.
Duvido que alguém se convença nesta matéria, a não ser por rejeição - votava duma maneira mas ficou tão indignado(a) com uma frase ou uma atitude que passou a votar doutra. Talvez todos estes excessos possam servir marginalmente para mobilizar para o voto, embora duvide muito da sua eficácia, penso até que favorece mais a abstenção do que a mobilização. Posso estar enganado, são só impressões, não servem para nada.
Fique já bem claro que eu gosto do som e da fúria da política.
(...)
O que me desagrada nesta campanha - feita mais para os homens do que para as mulheres - é que ela passa ao lado, mais do que isso, desrespeita, ignora, menospreza, o carácter essencialmente existencial, vivido, do problema do aborto. É por isso que o aborto é mais uma questão das mulheres, como é a maternidade, e não é totalmente extensível e compreensível aos homens. Este é um dos casos que esquecemos muitas vezes, quando achamos que a igualdade é algo de adquirido sob todos os aspectos, e que tem a ver apenas com a sociedade, a economia, a cultura e o direito.
Não, pelo contrário, há desigualdades, "diferenças" no dizer politicamente correcto, estruturais entre os seres humanos, uma das mais fundamentais é a que a maternidade introduz entre homens e mulheres. E para as mulheres, que, quase todas, ou abortaram ou pensaram alguma vez em abortar, ou usam métodos conceptivos que à luz estrita do fundamentalismo são abortivos, o aborto de que estamos a falar neste referendo não e uma questão de opinião, argumento, razão, política, dogmática, mesmo fé e religião. Também é, mas não só.

É uma questão de si mesmas consigo mesmas, íntima, própria, muitas vezes dolorosa e nalguns casos dramática. Não é matéria sobre que falem, se gabem, argumentem ou esgrimam como glória ou mesmo como testemunho.
Não é delas que vem esta estridência, nem é por elas que vêm os absurdos do TELEMÓVEL, do pinto, do ovo, do SADDAM HUSSEIN, do coraçãozinho. É mais provável que sintam tudo isso mais como insultos do que como argumentos que lhes suscitem a atenção.
No seu silêncio votarão ou abster-se-ão, mas é por elas, por si, pelo seu corpo, pelos seus filhos, pelo seu destino, pela sua vergonha, pela sua dor, pela sua miséria, pelas suas dificuldades económicas, pela sua vida, pelos seus erros, pelas suas virtudes.

Mas os moderados, estranha palavra rara no meio desta estridência, não podem deixar de recusar este folclore que infelizmente nalguns casos torna príncipes da Igreja igualzinhos ao Bloco de Esquerda e vice-versa. Se percebêssemos esse silencio interior da maternidade, mesmo quando dilacerada pelo aborto, seríamos menos ARROGANTES, menos ESTRIDENTES, menos OBSCENOS nas campanhas.»

citando Pacheco Pereira.